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Quanta saudade cabe em um painel de azulejos?
16 de dezembro de 2020

Um painel de afetos

Quanta saudade cabe em um painel de azulejos? E quanta dedicação um filho pode empenhar para preservar a memória da família e de São João Marcos? A resposta para as duas perguntas é: muita! Acompanhe essa história.

Arlindo Pereira nasceu em São João Marcos em 1926 e se mudou para o estado de São Paulo quando a cidade foi desocupada. Em 1955, ao se instalar em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, providenciou para a sua casa um quadro de 30 azulejos representando a paisagem da sua cidade natal. A pintura encomendada ao artista Celso Mancini, da Escola Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, permaneceu solidamente incorporada à casa, assim como São João Marcos às lembranças de Arlindo, até a sua morte em 1968.

Recentemente, a propriedade da família foi vendida e seu filho João Marcos Pereira, arquiteto de 66 anos – não à toa batizado com esse nome, pois nasceu no dia seguinte à Festa do Padroeiro, em 28 de setembro – encasquetou com a ideia de preservar o conjunto de azulejos e levar a obra para o nosso Parque, com a ajuda do primo Carlinhos, de Ribeirão das Lajes.

No início, achei que seria uma tarefa fácil“, conta João Marcos. “Mas procurei na internet uma solução viável e não encontrei. Virou um grande desafio e precisei criar uma verdadeira traquitana para resolver!

dispositivo para salvar o painel

Mas João Marcos não estava sozinho e teve ajuda de muita gente. Quando a serra da geringonça que ele inventou não surtiu o efeito desejado, o arquiteto conseguiu uma lâmina apropriada novinha em folha doada pela empresa fabricante de ferramentas Starrett, em Itu (SP). Quando precisou fazer o dispositivo, recorreu a um serralheiro amigo. E quando um azulejo quebrou durante o processo de retirada, o artista Edson Aparecido Raposeiro deu um retoque na pintura para ficar perfeita. Todos que ajudaram João Marcos nessa importante missão receberam uma carta de agradecimento assinada pelo gestor-executivo do projeto do Parque, Zeca Barros. São eles:

Admilson das Mercês Santos
Antônio Guerino Martenus
Aurelio Soares de Oliveira
Carlos Alberto Pagliuso
Carlos Alberto da Silva
Edson Aparecido Raposeiro

José Antônio de Góes Vieira
Luiz Antônio Rocha
Luiz Carlos Tanaka
Sebastião Carlos Pereira (Carlinhos)
Starrett Brasil
Valter Pereira

Os filhos que doaram o quadro:

Valterlindo Pereira
João Marcos Pereira
Gilmar Pereira

O painel de azulejos chegou são e salvo e já está pendurado. É o primeiro item da nossa nova Sala de Estudo e Memória de São João Marcos. Em 2021, o espaço vai reunir um acervo com materiais, livros e documentos digitalizados que ficarão disponíveis para consulta. Inspiração não vai faltar aos pesquisadores!

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